Blues Blogger
  Polaróide

 

Só lembrava que tinha que encapar os fios do chuveiro quando dava a primeira mijada do dia. Acordava, ia pro banheiro, tirava o pau prá fora e quando o jato batia na água, olhava pra cima e via a porra do fio desencapado. Aí pensava: "preciso encapar essa porra". Seu desjejum era uma xícara quase pela boca de café preto seguido de um cigarro de filtro vermelho."Filtro branco é de mulher", dizia. Depois de fumar um baseado, ia prá redação do jornal de bairro que trabalhava. Era revisor. O editor ainda tomava o cuidado de não confiar inteiramente no word. Não tinha muito trabalho. Revisar um jornal semanal de doze páginas era moleza. Muito anúncio. Sobrava tempo prá correr atrás de outras coisas. Também colaborava com uma revista de putaria. Mandava textos eróticos e legendas para ensaios ginecológicos de gringas boazudas. Bebia que nem um porco "pra equecer". O quê, ninguem sabia, mas sempre que ia encher a cara gostava de lembrar que "era pra esquecer". Seus contos para a revista Taste eram baseados nas suas próprias experiencias "acrescidas de um molho literário. Liberdade poética só enriquece o texto". Escrevia num velho Pentiun III que "não trocava nem fudendo" e ia tocando a vida entre virgulas do jornal e bucetas da revista.



Escrito por Bruka às 01h40
[] [envie esta mensagem] []


 
  foi isso que eu disse



Escrito por Bruka às 01h25
[] [envie esta mensagem] []


 
  ELEELA NOVEMBRO/2008

O CONTADOR DE HISTÓRIAS
por  POR CESAR LOPES RETRATO LUCAS LIMA 17 de novembro, 2008


Fumando as inseperáveis cigarrilhas em seu escritório

EM 2002, ELE DISPUTOU UMA CADEIRA NA ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS COM O EX-VICE-PRESIDENTE DA REPÚBLICA MARCO MACIEL. OS ACADÊMICOS ESCOLHERAM MACIEL. AZAR DA ACADEMIA. O ESCRITOR QUE TRANSFORMA VIDAS EM LITERATURA, FALA SOBRE PAULO COELHO, POLÍTICA, CUBA E DIZ QUE ACHA QUE A TV, DA MANEIRA QUE CONHECEMOS, VAI ACABAR.

A ABL preferiu Maciel


O estilo apurado que Fernando Morais utiliza em seus livros foi lapidado em anos de redação e pesquisas jornalísticas. As paredes de seu escritório em São Paulo são decoradas com fotos do autor acompanhado de grandes figuras da humanidade do século 20. Iasser Arafat, Gabriel Garcia Marques, Fidel Castro, entre outros, dão a dimensão exata da postura política que permeia sua vida. Seu faro o levou a transformar em livros as trajetórias de personagens fundamentais para a história recente do Brasil como Olga Benário, Assis Chateaubriand e, agora, Paulo Coelho. No mesmo dia em que seu último biografado estava em Frankfurt recebendo de seus editores uma condecoração pela venda de 100 milhões de livros em todo o mundo, Morais conversou com ELEELA.


No enterro de Santos Dias da Silva, operário morto pelos militares em 1979


Compenetrado, ao lado de Iasser Arafat. Abaixo, troca autógrafos com o fotógrafo Alberto Korda

 

 

A primeira entrevista com Fidel a gente nunca esquece

POR QUE A ESCOLHA DE PAULO COELHO COMO PERSONAGEM?
Você sabe que as minhas escolhas costumam espantar as pessoas, inclusive dentro de meu círculo. Lembro que quando saiu nos jornais que eu queria fazer a biografia de Antonio Carlos Magalhães, muita gente disse: “Porra, você fez A Ilha, fez Olga, agora vai fazer ACM que é um coronel, PFL...”. Isso se repetiu agora com o Paulo. A escolha encontra explicação na minha origem. Sou jornalista e também fui repórter praticamente minha vida inteira. E o repórter é movido, inicialmente, antes de qualquer outra característica, pela curiosidade. Isso você acaba desenvolvendo cada dia mais com o cotidiano. Toda profissão cria uma natureza adicional para o profissional e a do repórter é a curiosidade. Antonio Carlos Magalhães foi o único brasileiro vivo que tinha convivido com o poder durante 50 anos, com um pequeno hiato no governo Itamar Franco. De Juscelino até o Lula, Antonio Carlos conviveu com o poder o tempo todo. Ou como testemunha ou como protagonista. O jornalista que não se interessar por isso está na profissão errada. O mesmo vale para Paulo Coelho, um brasileiro nascido no bairro de Botafogo e que hoje é mais traduzido do que Shakespeare. Neste momento em que estamos aqui, ele está em Frankfurt recebendo um troféu do Guiness por ser o autor vivo mais traduzido do planeta. Independentemente da vida que ele teve, que foi tumultuada, uma sucessão de tragédias e tal, só esses dados de vendagens, na minha opinião, já justificam uma curiosidade elementar que é a seguinte: quem será o sujeito que vive embaixo da pele desse personagem?. Toda essa explicação é para responder que a escolha foi feita basicamente por curiosidade. Para minha sorte, descobri um personagem riquíssimo.

Ligações sul-americanas: Quércia, Carlos Menen e José Sarney, à frente, e Fernando, ao fundo


 
EE VOCÊ ERA LEITOR DELE ANTES DO LIVRO?
FM Antes de fazer a biografia tinha lido os dois primeiros livros dele, O Alquimista e O Diário de um Mago, por uma curiosidade básica: eu era editor de cultura da Veja e, de repente, aparece um cara que escreveu dois livros que estavam a seis semanas nas cabeças das listas de livros mais vendidos. Gostei, mas não virei “coelhista”.

Na campanha de FHC, em 1978. Fernando é o de barba

EE A POSSIBILIDADE DE UMA BOA VENDAGEM O ATRAIU?
FM É evidente que quando escolho um tema ou um personagem, penso na possibilidade de ser alguém ou algo do interesse do leitor e, portanto, algo que leve as pessoas a comprar o livro. Vivo disso. Não gosto de personagens insossos, sem sal nem açúcar. Escolho personagens polêmicos, contraditórios. Confesso que não esperava o sucesso que o livro está fazendo. Dou sorte na escolha dos meus temas. Penso que tem muito a ver com essa natureza adicional que adquiri nos dez anos de Jornal da Tarde, três anos de Veja, enfim, ao longo de minha trajetória profissional.

A França recebe a visita do escritor e sua filha Rita

EE FOI MAIS FÁCIL QUE SUAS OUTRAS BIOGRAFIAS PELO FATO DO PROTAGONISTA ESTAR VIVO?
FM É muito mais difícil biografar quem está vivo, mas tem uma grande vantagem em relação aos mortos. Se eu tivesse tido a oportunidade de conviver um dia que fosse com Chatô ou com a Olga, qualquer um desses livros seria infinitamente mais rico. Tive a oportunidade de passar três anos com o Paulo. Teve período que fiquei seis semanas indo para a casa dele, às oito horas da manhã, tomava café com ele e só voltava para o hotel depois que ele ia dormir. Nada substitui essa riqueza. No livro Olga tudo que eu descrevo dela é de segunda mão, pois perguntei para pessoas como ela era, como ela falava etc. Com o Paulo não precisei perguntar para ninguém e isso é insubstituível. Ao mesmo tempo, me trouxe alguns conflitos éticos. Me perguntava até que ponto tenho direito de tornar público intimidades de um cara que me recebeu na casa dele e abriu as coisas dele para mim. Isso me fez muito mal. Até que pensei que não tinha direito de transferir para meus leitores uma censura que o próprio Paulo não me pediu. Mas foi muito custoso. Não quero mais biografar personagens vivos, agora quero só mortos e de preferência mortos remotos. Do século 18 para trás.

 
 

Com Ulisses Guimarães

EE FOI MUITO CRITICADO PELA ESCOLHA?
FM Até hoje as pessoas se espantam com a escolha antes de ler o livro. Mas o que estou vendo é diferente do que pensava que seria. Pela primeira vez abri um site (www.fernandomorais.com.br/omago) para um livro e pelas mensagens que recebo consegui identificar dois tipos de leitores. O primeiro são os leitores do Paulo Coelho que nunca tinham ouvido falar em mim e que tinham comprado o Olga, porque viram na orelha do livro do Paulo e associaram ao filme. O segundo são leitores meus que torceram o nariz quando viram o livro e que depois de conhecerem ficaram com a intenção de ler Paulo Coelho. Agora, no meio jornalístico, a patrulha é grande e é movida pelo mesmo preconceito que esquarteja os livros do Paulo no Brasil há 20 anos.

Abaixo, troca autógrafos com o fotógrafo Alberto Korda

EE EM ENTREVISTA RECENTE, ELE DISSE QUE A BIOGRAFIA É PERFEITA, MAS PECA POR SE DETER MUITO AO LADO MATERIALISTA, CREDITANDO ISSO AO SEU ATEÍSMO.
FM Ele disse que o meu olhar materialista não conseguiu enxergar determinadas partes obscuras da religiosidade dele e da sua espiritualidade. Eu acho que para o leitor – e eu penso sempre no leitor – é melhor que o Paulo Coelho tenha sido biografado por um materialista do que por um crente. Crente no sentido amplo da palavra, porque hoje virou sinônimo de evangélico. Por quê? Porque toda vez que ele invocava a espiritualidade para se referir a algum fenômeno acontecido com ele eu questionava. Então, ele dizia: “Estou no interior da França sozinho no carro, quando percebo que um anjo estava comigo e começava a falar”. Eu questionava se era um anjo material, com dimensão física, um vulto, uma luz... Esse anjo falava e em que língua? Em francês ou português? Por que isso tudo? Porque eu não acredito em anjo.


Escrito por Bruka às 22h34
[] [envie esta mensagem] []


 
  ELEELA NOVEMBRO/2008 PARTE II

EXISTE A POSSIBILIDADE DO LIVRO VIRAR FILME?
FM Tenho duas experiências opostas com adaptação de meus livros para cinema. Uma do mais absoluto sucesso que é Olga. Eu gostei muito. Quem não gostou foi a crítica. O povo adorou, deu quase quatro milhões de espectadores, recebeu prêmios fora do Brasil, foi indicado para o Oscar e popularizou um tema que era privilégio dos lidos. A outra é o Chatô que está pronto. Segundo o Guilherme (Fontes, diretor do filme) com quem continuo tendo relações fraternas, o filme está precisando de muito pouco para ser finalizado, mas não consegue dinheiro para terminar. O Corações Sujos está em pré-produção e será dirigido pelo Vicente Amorin, que foi quem dirigiu O Caminhos das Nuvens, com o Wagner Moura. Os direitos do livro Montenegro está vendido para o João Batista de Andrade e O Mago já está em negociação.


Acima, o bebê Morais.


EE COELHO DISSE TAMBÉM QUE O LIVRO É MAIS MATERIALISTA, PORQUE VOCÊ ACREDITA EM FIDEL CASTRO. AINDA ACREDITA EM FIDEL?
FM Claro. Não mudou nada. Dizer por que eu continuo solidário à revolução cubana levaria umas dez horas. Mas como acho que há determinados símbolos que justificam aquela frase que uma imagem vale mais que mil palavras, quero falar de um outdoor que existe em Cuba, no aeroporto de Havana, que foi colocado quando o Papa visitou o país, que diz o seguinte: “Esta noite em todo o mundo, 200 milhões de crianças vão dormir na rua. Nenhuma delas é cubana”. Que país pode dizer isso? Estados Unidos? Vá ver as ruas de Nova York. França? Morei dois anos em Paris e da janela da minha casa dava para ver famílias, num inverno de dez graus negativos, dormindo embaixo das pontes do centro. Fui ao Japão algumas vezes divulgar o livro Corações Sujos e nas ruas de Tóquio você via homeless, velhos e crianças dormindo em casinhas de papelão. Agora, você conseguir uma coisa dessas num país que tem o PIB da Daslu e que sofre uma ameaça de agressão permanente... As pessoas dizem que é paranóia de comunista achar que os Estados Unidos vão invadir Cuba. Pô, invadiram o Iraque que é do outro lado do planeta. De Cuba a Miami a distância é a mesma que de São Paulo a Piracicaba. Não precisa de mísseis intercontinentais, são 160 quilômetros. É o paraíso, o lugar ideal? Lógico que não.

EE E COMO VOCÊ VÊ O MOMENTO POLÍTICO DA AMÉRICA LATINA?
FM Estou com Cuba, assim como estou com o Chávez [Hugo Chávez, presidente da Venezuela], que está fazendo uma revolução. É o fenômeno político latino-americano mais importante desde a revolução cubana, por uma série de razões. Em primeiro lugar fez uma revolução pacífica. Não tem um preso político na Venezuela, nenhum. Não tem censura. Se você entrar nas páginas dos principais jornais do país na internet verá insultos ao Chávez na primeira página.

EE EM CUBA ISSO NÃO EXISTE...
FM Não. Em Cuba não tem liberdade de expressão, porque está em guerra com os Estados Unidos. Se deixar abrir canal comercial de televisão, no dia seguinte os Estados Unidos montam um e levam o melhor equipamento gráfico do planeta para poder dinamitar a revolução. Acabem com o bloqueio. É o primeiro pré-requisito para se pensar em algum tipo de avanço em Cuba nesse sentido.

EE VOCÊ AFIRMOU EM ENTREVISTA QUE LULA ERA A ÚLTIMA ESPERANÇA PARA SUA GERAÇÃO. SUAS EXPECTATIVAS SE CONFIRMARAM?
FM Não é o governo dos meus sonhos. Mas é seguramente o melhor governo que o país já teve. Tirar dez milhões de pessoas do estado de miséria é uma revolução. Tem uma política externa exemplar, como há muito tempo não se via. O Lula está se qualificando – e se as coisas continuarem andando direito até 2010 – para entrar na história pela porta da frente ao lado de gente do tamanho de Getúlio Vargas. Mas ele podia ter feito mais. Primeiro: reforma agrária. Ele poderia ter assentado todos os sem-terra. É possível fazer isso. Nesse ponto não avançou. Na educação, tanto ele quanto Fernando Henrique, por razões opostas, tinham que ter compromissos infinitamente mais profundos. O Fernando porque viveu de livros. Criou a família com dinheiro vindo dos livros, pois é um intelectual. O Lula pelo oposto. Um sujeito que chega à presidência da República tendo apenas o curso primário tem obrigação de dedicar energias adicionais a uma revolução na educação para evitar que outros brasileiros passem pelo que ele passou. Você vai encontrar coisas pontuais boas, tanto no governo do Fernando quanto no do Lula. O Lula está dizendo um negócio agora que está me enchendo de esperança que é a utilização do dinheiro da extração do petróleo pré-sal para fazer uma revolução na educação no Brasil. É disso que estamos precisando.


Nesta foto, na Transamazonica, sem a famosa barba

EE VOCÊ TAMBÉM JÁ SE ENVOLVEU COM POLÍTICA (FERNANDO FOI DEPUTADO ESTADUAL POR DOIS MANDATOS E SECRETÁRIO DA CULTURA E DA EDUCAÇÃO DO ESTADO DE SÃO PAULO).
FM A política é uma doença. Algumas pessoas já nascem com ela. Achava que não iria me envolver mais até que em 2002 o PMDB me chamou para ser candidato a governador de São Paulo. Topei. A gente tinha sete minutos de tempo na televisão e esse tempo era uma eternidade. Os melhores anúncios da história da publicidade são de 15, 30 segundos. Durante 53 dias, sem fins de semana ou feriados, visitei quase todas as cidades do estado. Quando faltavam quatro dias para começar o horário eleitoral, que era meu único instrumento para sair do traço nas pesquisas, o marqueteiro me informa que meu tempo seria utilizado pelo Orestes Quércia, candidato a senador, que já tinha o tempo dele garantido por lei. Fui conversar com o Quércia que disse que a prioridade era do partido. Respondi que ele deveria ter me avisado isso no dia que tinha me convidado para ser candidato e que não aceitaria que utilizassem meu nome para se usar o tempo na TV. Fiz uma carta para o TRE dizendo que estavam tentando se apropriar do meu tempo e que como não tinha poderes para reverter isso retiraria minha candidatura. Larguei tudo e fui fazer campanha para o Lula.


Encontro em Macondo: Gabriel Garcia Marques


EE VOCÊ ACHA POSSÍVEL O SURGIMENTO DE UM NOVO ASSIS CHATEAUBRIAND? DÁ PARA COMPARAR COM ROBERTO MARINHO?
FM Não. Não há termos de comparação entre Chatô e Roberto Marinho. Além do poder de Chateaubriand ter sido maior, a forma de exercer era diferente. Roberto Marinho era um homem dos bastidores. Chateaubriand resolvia no revólver. Roberto quis desmoralizar o Brizola [Leonel Brizola, ex-governador do Rio de Janeiro], o que ele fez? Botou a Globo para dizer que o Rio era a cidade mais insegura e violenta do mundo, e que o responsável por isso era o Brizola. Se fosse o Chateaubriand ele ia lá e daria uma surra de rabo de tatu no Brizola. A forma de exercer o poder de Chatô era de uma violência que não encontrava paralelo naquele lord inglês que era o Roberto Marinho. A história da Rede Globo é a história do adesismo. Chato, não. A trajetória dele com o poder é completamente diferente.



EE E COMO ENXERGA OS NOVOS MEIOS DE COMUNICAÇÃO ATUAIS?
FM Estou convencido de que a televisão como a gente conhece hoje acabou. Vai virar subnitrato de pó de traque. O que é que vai ser a televisão agora? Internet. A partir de agora você vai ser seu próprio Roberto Marinho. Se você pegar uma câmera que pode ser do próprio celular e abrir um sinal na internet – pode ser blog, site – qualquer pessoa no planeta que linkar ali sabe que pode te encontrar ao vivo e, se você tiver seguidores, terá audiência e, se tiver audiência, terá anúncio. Então, acabou a televisão. Por quê? Porque para montar uma estação de televisão você precisa de uma concessão que ou o governo te dá ou compra de alguém que já tenha por preços extorsivos, e depois precisa montar uma megaestrutura de equipamentos e serviços de pessoal que custam uma fortuna. Acabou isso. Não precisa mais de concessão de ninguém para ir para o ar. A televisão acabou.


Em campanha, na Praça da Sé


EE A ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS AINDA INTERESSA?
FM Interessa. Poderia estar me vangloriando de minha derrota para o Marco Maciel dizendo que já vendi não sei quantos milhões de livros e ele não publicou nenhum, mas a academia, historicamente, não recebe só autores. Recebe personalidades. Getúlio Vargas era membro da Academia e nunca produziu nada além de decretos. Então, o fato de ter perdido para Marco Maciel não diminui a vitória dele. Se tiver uma nova oportunidade eu concorro novamente, mas acho difícil isso acontecer, pelo menos por hora, porque a biografia do Paulo acabou produzindo uma polêmica com os acadêmicos, porque o processo eleitoral dele na ABL foi complicado e eu conto no livro. Isso deixou uma ferida lá. Se uma cadeira vagar, ainda não será a minha vez.



Escrito por Bruka às 22h31
[] [envie esta mensagem] []


 
  GURU

 

"QUEM VEICULA CONTEÚDO SÃO JORNALISTAS, SÃO TEÓRICOS, SÃO PROFESSORES DE UNIVERSIDADE. O POETA SE DEFINE, SOBRETUDO, POR UMA CAPACIDADE DE CRIAR BELEZA COM LINGUAGEM"

 

 

 



Escrito por Bruka às 22h29
[] [envie esta mensagem] []


 
  Sonny Rollins

Foi simplesmente maravilhoso. Pensei que nunca teria a oportunidade de ver/ouvir um medalhão do jazz. Digo medalhão das antigas porque  cara é da estirpe de Miles, Gillespie, Coltrane, Wayne Shorter e por aí vai. O velho já está de passos lentos, quase se arrasta no palco, mas quando começa a disparar seus arpejos a terra treme. O primeiro contato que tive com seu som foi em 96. Eu estudava guitarra e achava que um dia poderia tocar como o Wes ou como Joe Pass. Aí descobri o Jim Hall. Guitarrista de uma sensibilidade absurda que resolvia um chorus com duas notas. Pois então, vi o disco (vinil que tenho até hoje). Um álbum duplo do Sonny acompanhado por um quarteto que ao invés de piano na sessão ritmica, tinha a guita do Jim Hall. Comprei sem pensar. Fui atrás do guitarrista e descobri um dos mais fantásticos tenores que já passaram por aqui. E ontem eu vi o cara.

 

 

 



Escrito por Bruka às 11h32
[] [envie esta mensagem] []


 
 

to meio ausente daqui e peço desculpas a vocês três (sim, eu sei quem vcs são) que de vez em quando passam aqui prá saber de novidades ou velhidades - como no caso das bandas que posto por acá. sempre uma velhidade da hora... mas tá corrido. fui chamado prá ser editor do site e reporter da revista ELEELA e tá ducaralho o trampo. a galera é demais e tá todo mundo muito afim de fazer a revista virar e tenho certeza que vai virar sim.

tenho chegado em casa tarde e cansado demais prá escrever. ainda mais agora que estamos fechando a revista e tenho escrito quase que o dia todo. queria postar mais por aqui, mas por enquanto vai ser assim... atualizo de vez em quando.

agora uma música. cantem comigo:

 



Escrito por Bruka às 01h08
[] [envie esta mensagem] []


 
  Good hippie



Escrito por Bruka às 22h56
[] [envie esta mensagem] []


 
  A saga de Claudiney continua

Irineu andava se engraçando com Anita. Claudiney já tinha percebido e ficava puto toda vez que "o filha da puta" passava na mesa da gata e fazia uma brincadeira. Ficava mais puto ainda quando ela ria. Já tinha falado uma vez com a tia Mirtes sobre Anita. Com a mãe não. Dona Sonia morria de ciúmes do filho. A velha não tinha família e depois da morte do seu Osmar se agarrou à Claudiney como um náufrago se agarra a um tronco. A tia incentivava o sobrinho. Achava que ele “precisava arranjar uma companheira”.

Anita era morena. Pintava o cabelo com um louro platinado “igual da Marlim”. Era educada e atenciosa com todos, mas Claudy achava que com ele era diferente. Ela sempre perguntava se “não iria procurar uma namorada” e ele “na hora certa Aní. Na hora certa...”.

Seu Valdemar “com V por que com W é Ualdemar” era um dos Dois Irmãos do escritório. O outro, Vander, estava afastado com problema no coração. Duas safenas. O Tiozinho, como era carinhosamente tratado por seus funcionários, não gostava de namoros entre seus subordinados. Dizia que “isso é passível de demissão. Demissão!” Era rigorosíssimo quanto aos horários de entrada e saída da firma. Chegou a demitir o Gouveia do almoxarife por causa de 20 minutos de atraso. Dois dias depois, chamou-o de volta. O coroa tinha coração mole. Anita trabalhava diretamente com o Tiozinho e estava sempre sob a vista do chefe. Impossível qualquer aproximação. Para Claudiney, a sexta na Pizzaria seria a data perfeita para se encontrar com Aní fora do ambiente de trabalho e ainda por cima numa posição privilegiada: o artista da noite.



Escrito por Bruka às 22h01
[] [envie esta mensagem] []


 
  Londrix

O Rodrigo pediu prá divulgar.

claaaaaaaaro!!

Londrix 2008 - Festival Literário de Londrina

 

             O LONDRIX 2008 – Festival Literário de Londrina reúne importantes nomes da literatura brasileira para discutir e pensar os rumos da literatura feita hoje no Brasil, seus impasses e peculiaridades em toda a sua diversidade de experiências.

            São seis dias de debates, palestras, leituras, shows e oficinas abordando assuntos pontuais e controversos. Nessa edição do Festival jovens escritores brasileiros falam sobre a opção pela literatura e relatam suas experiências com a escrita. Uma reflexão sobre as relações entre quadrinhos e formas literárias também será um dos temas das mesas. Outro tema proposto será o imaginário de cidade, particularmente Londrina, como inspiração poética. Entre os participantes estão nomes de destaque no cenário atual como João Gilberto Noll, Domingos Pellegrini, Miguel Sanches Neto, João Filho, Lourenço Mutarelli, Caco Galhardo, Fabrício Corsaletti, Mário Bortolotto, Fernando Koproski, Paulo Scott, Hélio Leites, Índigo, Ivan Justen Santana, Eloyr Pacheco, Mirian Paglia Costa, Maria Regina Fedri, Neuza Pinheiro, entre outros.

                               Contamos com dezenas de lançamentos de livros, revistas e CDs, além de shows com artistas que integram a literatura em seu trabalho musical como Bonus Trash, Ceumar, Benditos Energúmenos, A Barca, A Lei, Décio Caetano, Mário Bortolotto & Fábio Brum,

Rogéria Holtz e Renata Mattar.

            Nesta festa literária a Feira de Livros vai abrir espaço para editora de pequeno e médio porte. Além das performances diárias de Hélio Leites, as revistas independentes também marcam presença, com lançamentos do novo número da Coyote. A literatura infantil de infanto-juvenil terá seu espaço próprio, um lugar onde pais e filhos terão a oportunidade de entrar em contato com o mundo mágico da literatura através

de "contação" de histórias, shows, contato com autores e vivências lúdicas.

Após esses seis dias o LONDRIX continua com oficinas até dezembro e ainda promove encontros entre

escritores e a comunidade, projeto que foi desenvolvido durante todo o ano de 2008.

 

               Bem vindos ao Festival Literário de Londrina!



Escrito por Bruka às 23h36
[] [envie esta mensagem] []


 
  Jazz of the Beat Generation

Jazz of the Beat Generation

Tem umas narrações do próprio kerouac e muito jazz. Baixem!!!




Track List

1.Beat Generation - [Jack Kerouac]
2.Gasser - [Roy Eldridge]
3.Real Crazy Cool - [Big Jay McNeely]
4.Hey! Ba-Ba-Re-Bop - [Lionel Hampton]
5.In a Little Spanish Town - [Lester Young]
6.Fantasy: The Early History of Bop [Section 1] - [Jack Kerouac]
7.Salt Peanuts - [Dizzy Gillespie]
8.Scrapple from the Apple - [Charlie Parker]
9.Fantasy: The Early History of Bop [Section 2] - [Jack Kerouac]
10.Half Nelson - [Miles Davis]
11.Sorry, Wrong Rhumba - [George Shearing]
12.Fantasy: The Early History of Bop [Section 3] - [Jack Kerouac]
13.Slim's Jam - [Slim Gaillard]
14.Fantasy: The Early History of Bop [Section 4] - [Jack Kerouac]
15.I Only Have Eyes for You - [Billy Eckstine]
16.Hunt - [Dexter Gordon, Wardell Gray]
17.Fantasy: The Early History of Bop [Section 5] - [Jack Kerouac]
18.Hackensack - [Thelonious Monk]
19.Subconscious-Lee - [Lennie Tristano]
20.Stella by Starlight - [Stan Getz]

By: Blog Jazz & Rock

DOWNLOAD


Escrito por Bruka às 10h38
[] [envie esta mensagem] []


 
  Puta disco de rock

enjoy!

 

Nome do arquivo: DP-MHead(lenhador.blogspot.com).rar
Sharebee, 35MB, 128Kbps.

Machine Head
1. Highway Star
2. Maybe I'm a Leo
3. Pictures of Home
4. Never Before
5. Smoke on the Water
6. Lazy
7. Space Truckin'
 

 
credito: Blog do Lenhador


Escrito por Bruka às 16h26
[] [envie esta mensagem] []


 
  Vermes do Limbo na Festa de Merda



Escrito por Bruka às 21h46
[] [envie esta mensagem] []


 
 

este é um conto que comecei a escrever no começo do ano. já postei algumas partes por aqui, mas a coisa ficou maior que imaginava. então violão, vou postar os antigos também para não perder o fio da meada.

 

o nome dele é claudiney.

o pai queria cláudio, a mãe queria ney. estava feita a bosta! com y mesmo.

dona sônia dizia que era mais chique.

 

odiava seu nome. a anita secretária o chamava de claudy. gostava da anita. gostava de claudy.

 

infância normal com direito a pipa, peão e muito futebol. se orgulhava de pertencer a geração do tele-jogo. foi um craque no paredão...

se tornou corintiano na invasão de 76. foi com o pai, seu osmar, ao maracanã. chorou  na classificação e aí não tinha mais jeito. gambá até a morte.

com muito custo, conseguiu terminar um profissionalizante. virou contador. fez curso de computação e era expert em DOS. quando apareceu o windows 95 profetizou:

 

– não vai pegar.

 

por intermédio de um amigo de seu osmar, conseguiu um emprego no escritório “dois irmãos – o melhor da região”. perto da praça da sé.

 

37 anos, solteiro, morando com a mãe.

vida pacata, fazendo contas, fechando livros-caixa e assim por diante...

perdera o pai em 96. vinte anos depois da invasão. no mesmo dia.  

 

queria inovar, sei lá.... afinal, a vida não devia ser só isso.

 

juntou uma grana e pagou algumas aulas de violão. paixão antiga. sempre quis tocar.

 

depois de um tempo percebeu que levava jeito pra coisa. resolveu investir. foi até a banca e comprou todas as revistas de música que encontrou. sabe essas que publicam a letra com os acordes em cima? então... entendeu o raciocínio e mandou ver.

logo tinha um repertório de 30 canções. aprendeu até o solo de “aquarela” do toquinho. sentia-se seguro quando estava tocando. gostava do resultado. a mãe já tinha elogiado algumas vezes. a tia mirtes também. a prova de fogo foi o aniversário do cabeça. depois de duas doses de conhaque e uma porrada de cerveja, criou coragem. tirou o violão da capa, passou pelo afinador eletrônico (investiu mesmo) e tascou “óculos” dos paralamas.

 

nos primeiros compassos, silêncio.

insegurança.

não desistiu. no primeiro yo yo yo a samanta cabeleireira começou a cantar. no segundo verso tinha mais um povo. no refrão a galera veio abaixo. foi embora feliz

 

– por que você não olha pra mim uoô...

 

chegou em casa e foi para o quarto. olhou para o velho pôster da som 3 do queen e pensou que tudo aquilo era pequeno para ele. achava que tinha talento. talento. era preciso mostrar. todo artista tem que ir onde o povo está. se conseguisse conciliar a carreira artística com o emprego seria ótimo. foi à luta. um amigo do escritório indicou uma pizzaria que tinha música ao vivo. pizzaria guanabara. pensou  que guanabara não era nome de pizzaria.  mas, vamos lá... fredie mercury também cantou em muita espelunca. criou coragem, telefonou e pediu pra falar com o seu dirceu, o dono.

 

- alô, seu dirceu?

- sim?

- meu nome é claudiney e queria uma oportunidade de mostrar meu trabalho.

- pizza de alho?

-trabalho!!!

-ah, mas não estamos contratando

-sou músico.

-ah, músico...

-é.

- e toca o que?

- violão. um pouquinho de tudo...

-toca waldick?

-o que?

-soriano?

-posso aprender...

- me dá teu telefone. quem toca aqui é o paulinho mato grosso, o dia que ele não puder...

-muito obrigado seu dirceu, anota aí...

 

agora era oficialmente claudy: voz e violão

 

*******************

- alô?

- alô?

- o claudiney, por favor?

- ele.

- ô claudiney, é o dirceu da pizzaria.

- oi seu dirceu, tudo em ordem?

- como é que está sua agenda prá essa sexta?

- essa agora?

- é...

- dexô vê...

- o paulinho não vai poder tocar. vai prá cuiabá. parece que morreu a vó, a tia, sei lá...

- posso sim.

- olha, mas não tem fixo. só o couvert artistico. tudo bem?

- claro. que horas começo.

- água e comida por conta da casa. álcool é por sua conta.

- que horas começo seu dirceu?

- e tem que trazer equipamento também. a casa não fornece.

- que horas chego aí?

- e mais uma coisa...

- que horas?

- tem que tocar três horas com dois intervalos de dez minutos.

- sete horas eu tô aí.

- até sexta.

- até.

*******************

 

Puta que pariu!! O Primeiro show!! O primeiro show!! O primeiro passo de uma longa trajetória de sucesso.

 

“Sabe Jô, eu sou o tipo do cara que...”

 

“Caralho, eu sou o tipo do cara que o quê? Não fiz outra coisa nos últimos anos que não seja trabalhar naquela porra de escritório”.

 

“Sabe Jô, eu sou o tipo do cara que fecha um IRPJ que é uma beleza”.

“Sabe Jô, eu sou o tipo do cara que sabe como autenticar um documento”.

“Sabe Jô, eu sou o tipo do cara que sabe muito bem reconhecer uma assinatura”.

“Sabe Jô, eu sou o tipo do cara que não é merda nenhuma”.

 

Tranqüilizou-se quando pensou que estava apenas começando sua carreira. “Até chegar no Jô, vou ter muitas histórias pra contar. Também já vou ter passado por muitos programas e estarei calejado. Antes do Jô, quero tirar o chapéu no Raul Gil. Mamãe adora Raul Gil”.

 

Mas antes Claudy tinha que preparar o repertório para o grande dia. O que tocar? Churrasco com amigos era uma coisa. Quando esquecia a letra sempre tinha um bebum para lembrar. Mas e profissionalmente? Como ia ser se esquecesse? Caralho! Problema a vista. Acendeu um cigarro. Achava que ajudava a pensar melhor. Não fumava muito, mas nos momentos de angústia funcionava como uma bengala. Iria conversar com o Irineu na segunda, o chegado que tinha indicado a pizzaria. Se indicou é or que já deve ter ido, oras bolas. Claudiney esperimentava sua primeira crise existencial como músico.  “E se não gostarem do repertório? Bobagem, até o Ruizão no niver do Cabeça tinha gostado. Ele que é o maior xarope pra música cantou o refrão de Sonífera Ilha. Disse que estava legal e tudo...”

 

Segunda foi de ansiedade no escritório. Estava perdido, insegurança braba. Medo de não agradar, que não gostassem da sua voz, das músicas... Estava criando coragem prá falar com o Irineu.

 

Quando viu Irineu no café, foi.

 

- Fala Irina?

- Fala Claudiney, o homem que mais trabalha no escritório.

- Você já viu o Mato Grosso?

- Que?

- O Paulinho Matogrosso?

- Ahhh, o cantor!!

- Isso!!

- Que é que tem?

- Você já assistiu?

- Na Pizzaria?

- É Irineu, na pizzaria, na pizzaria... você já viu?

- Claro que já!

- E?

- E o que?

- Ele é bom?

- Claro!

- Bom como?

- Como assim?

- Bom como Irineu, bom como... toca bem, canta bem???

- é...

- E só isso????

- A Claudiney, sei lá porra. Ele é eclético...

- Eclético??

- É, caralho, eclético!!

- Como assim?

- Ele agrada todo mundo porra!! É eclético!! Agora dá licença que tenho mais o que fazer!!

 

Eclético... Tá aí. Agradar todo mundo. É esse o segredo.

Eclético.

to be continued...



Escrito por Bruka às 20h02
[] [envie esta mensagem] []


 
 

Escrito por Bruka às 11h55
[] [envie esta mensagem] []


 
  [ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]  
 
 
Meu perfil
BRASIL, Sudeste, SAO PAULO, ACLIMACAO, Homem, de 36 a 45 anos, Portuguese, English, Sexo, Bebidas e vinhos, Tabacaria
MSN -


HISTÓRICO



OUTROS SITES
 Sensivel Desafio
 Cotidiano Ranzinza
 Atire no Dramaturgo - Mário Bortolotto
 Sassá Cartoon
 Jazz Ever
 Márcio Américo
 Podre 300 - Rafa Moralez
 Pierre
 Rodrigo Garcia Lopes
 Apague a luz ao sair
 Peppino de Caprio - Fábio Rigobelo
 Acorda Alice
 Kadu Batera
 Yuri - Folha na Floresta
 Thiago - BLAM


VOTAÇÃO
 Dê uma nota para meu blog!