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ELEELA FEV/09


A SAGA DE BOOKER PITTMAN
JAZZ E CACHAÇA

por  CESAR LOPES29 de janeiro, 2009

ELEELA RESGATA A SAGA DE BOOKER PITTMAN, O JAZZISTA NORTE-AMERICANO QUE CONSTRUIU FAMA NO BRASIL REGADO A MUITA MÚSICA, PINGA E SEXO


No ano do centenário de seu nascimento e do 40º aniversário de sua morte, o clarinetista e saxofonista Booker Pittman é lembrado como sinônimo de talento e liberdade. Na música, tocou com grandes nomes do jazz, como Count Basie e Louis Armstrong. Na vida, usou o instrumento para conhecer o mundo e escrever uma história rica e fascinante. “Eu e meu amigo parecíamos uma visão, com nossa cara inchada, daquele matador (sic) de homem [cachaça]. Ninguém nos olhava amigavelmente, mas a algumas milhas fora de São Paulo mudei isso, pois peguei o meu sax. Menino, meus amigos arregalaram os olhos! Certo, lá estava eu viajando novamente: novos lugares, novas caras. Lógico, eu toquei o meu melhor! Estava feliz, viajando. As rodas do trem cantavam melhor do que qualquer baterista. Isso não era nenhuma boate ou cabaré. Isso era eu, fazendo o que mais gostava, novas aventuras”, diz Pittman no livro Por Você, por Mim, por Nós, de Ophélia Pittman (Editora Record, 1984), esposa brasileira do músico.



O espírito cigano e a maneira descomprometida e livre de enxergar a vida de Booker Pittman construíram uma trajetória riquíssima e recheada de peculiaridades. “O cara nasceu em Dallas, em 1909, coincidentemente na mesma rua em que o presidente John F. Kennedy seria assassinado. Seu avô, Booker T. Washington, foi o primeiro negro a fundar uma universidade”, conta o cineasta Rodrigo Grota, 29. “Ele já tocava na escola, mas quando decidiu se dedicar à música foi para Kansas City e começou a tocar com o grupo do Count Basie”, acrescenta. Grota dirigiu um curta sobre o instrumentista – que leva o mesmo nome do músico – e vem acumulando prêmios em festivais pelo país (levou o Kikito de melhor curta no Festival de Gramado 2008) e no exterior. “Um dia ele ouviu um senhor que tocava na orquestra de Basie dizer que estava cansado de viajar, que não agüentava mais a estrada e iria se aposentar. Ali percebeu que seu instrumento poderia se tornar um passaporte para o mundo”, diz o diretor. E as viagens de Booker não tardariam a começar.
Elevou a São Paulo, Pernambuco e Paraná. Rodrigo conta que Booker “também morou na Argentina, onde se viciou em cocaína e fugiu para o Uruguai para tentar se livrar do vício que acabou substituindo por cachaça e maconha”.


ASCENSÃO E QUEDA
“Nós fomos diretamente para a casa do meu amigo, onde sua mãe e dois irmãos menores nos receberam calorosamente. Tomei logo um banho e tentei ficar sóbrio. Melhorei um pouco, comi uma típica refeição [paranaense] e estava pronto para dormir. Meu amigo disse ‘ainda não’, e me levou para conhecer o meu futuro patrão. O Clube era um lugar de jogo com cartas e dados onde os plantadores de café ficavam algum ou mais tempo. Quando subimos para o 2º andar, fomos examinados rapidamente dos pés à cabeça. Eu olhei para a esquerda daquele quartinho e vi pistolas de todas as marcas penduradas na parede. Era o check room. Eu sorri. Nem no Texas tinha um check room. Aqueles fazendeiros eram todos ricos, cheios de dinheiro. Aquela terra vermelha do Paraná, com personalidades fortes, me fez lembrar de alguma forma Oklahoma.” Assim foi a chegada de Booker a Londrina, no Paraná, contada pelo próprio.
“Sua derrocada com a cachaça também começou ali”, conta Ranulfo Pedreiro, 39, jornalista responsável por uma grande pesquisa sobre o músico. Pedreiro diz que o material encontrado é muito vago. “É difícil achar dados confiáveis. Seu espírito nômade não o deixava parado por muito tempo no mesmo local. Era um apaixonado pela noite e pela pingam, que passou a preferir ao uísque”, acrescenta. E Booker confirma: “Lá, embaixo, na esquina, tinha um bar, aberto durante a noite. Em todos os intervalos eu ia até lá e tomava a minha dose de cana. Naturalmente, nunca ofendia os fregueses. Sentava, tomava alguns goles de uísque, pedia licença para ir ao banheiro, corria, rapidamente, para o bar na esquina, tomava quatro ou cinco goles de cachaça, e voava de volta pelas escadas para a mesa, pedia desculpas pela ausência e acabava o resto do uísque”.



O músico encontrou em Londrina uma cidade com muito dinheiro circulando devido às fazendas cafeeiras. As “casas noturnas” pipocavam. Além das mesas de jogos que odiava, Pittman convivia com moçoilas de todos os tipos que se ofereciam para os endinheirados fazendeiros. “Senti alguma coisa tocando dentro nesta atmosfera nova e diferente. Apesar de ter sido criado no Texas, nunca fui ligado à vida no campo. Dallas, naquela época, era uma cidade em crescimento, sem cavalos ou vacas para ver e muito asfalto. Eu agora estava sendo apresentado a um cenário diferente e mais fascinante do que antes. Naquela noite, toquei com um entusiasmo novo. Praticamente todos os homens usavam botas e chapéus de aba larga. As mocinhas do cabaré, em sua maioria, eram de São Paulo.”
A essa altura o saxofonista já tinha se rendido ao vício da cachaça. “O Paraná é muito frio, especialmente à noite. Mas eu tocava à noite, tomava aquela cachaça forte e quase não sentia frio.” Nesse cenário digno dos grandes cabarés de Nova York, o músico construiu fama. Mas a pinga o fez torrar todo o dinheiro que ganhou e logo começou a trabalhar a troco da maldita. Ranulfo diz que Booker chegou ao fundo do poço. “Mendigou trocados pelas ruas e perdeu o saxofone por causa da bebida. E o mais incrível é que mesmo assim não deixou de viajar. Como não tinha dinheiro, começou a circular por cidades da região como Santo Antônio da Platina e Cornélio Procópio. Dormia em qualquer lugar.” Um dia estava pintando as paredes de uma casa de reputação duvidosa em Cornélio quando foi procurado por um amigo que trazia um recorte de jornal que noticiava sua morte. Buca tomou isso como um sinal.


FÊNIX MUSICAL
Em 1958, além de vencer sua primeira Copa do Mundo, o Brasil recebeu a visita de um ícone da música americana. O trompetista e cantor Louis Armstrong aportou em São Paulo para uma apresentação. Booker passou por lá para rever o amigo e acabou sendo convidado a participar da banda. Durante o espetáculo, uma certa Ophélia não conseguiu desgrudar os olhos do palco. Ao final do show, a moça passou batido pela multidão que cercava Louis e, arrastando sua filha Eliana pela mão, se aproximou de um cara calado que acendia um cigarro. Era Booker Pittman. “Ele era amigo de infância de Louis. Mamãe já conhecia o Buca por causa de uma reportagem publicada na revista O Cruzeiro. Eu devia ter uns 11 anos. A maior preocupação de mamãe era que ele não tocasse à altura de Armstrong naquele dia, mas qual o que. Não estarei exagerando em dizer que foi o músico mais aplaudido. Enquanto todos paparicavam o Louis, mamãe tomou coragem e se apresentou ao Booker”, conta Eliana Pittman, cantora e filha adotiva do músico.
Com muito custo, tempo e uma paciência de Jó, Ophélia conseguiu quebrar a aversão que o músico sentia pelo casamento – ele achava que poderia prejudicar seu espírito cigano. Logo, estavam vivendo juntos. Quando Booker resolveu retomar a carreira no Rio de Janeiro, levou a nova esposa e filha a tiracolo. As duas já carregavam o sobrenome Pittman. Na então capital nacional, Buca retomou as rédeas da carreira, que agora eram guiadas pelas mãos fortes de dona Ophélia. “Papai não se apegava a bens materiais e muitas vezes nem cobrava para tocar. Mamãe mudou isso e passou a controlar a carreira dele. Buca começou a dizer que agora tinha uma família para sustentar e começou a encarar a profissão com mais responsabilidade”, completa Eliana.
Ele logo passou a fazer parte da cena musical nacional e tocava com freqüência com os grandes nomes da época, como Dick Farney. No badalado hotel Plaza foi contratado como atração principal da casa. Reza a lenda que um jovem Roberto Carlos ficava na espreita à espera de uma vaga para se apresentar no hotel. “Comecei minha carreira em abril de 1961 cantando duas músicas num show de papai. Fui descoberta como cantora por ele, que me incentivou a ingressar na carreira artística”, relembra Eliana.
Em 1964, Buca retornou a Nova York e encontrou um cenário totalmente diferente do que tinha deixado. As gravadoras controlavam tudo e o rock e a música pop estavam se consolidando como gênero popular. Eliana conta que “depois de uns tempos nos EUA ele disse para mim que queria voltar para casa. A casa dele era o Brasil. Em 1966, descobriu que tinha um câncer na laringe. Os médicos queriam fazer uma traqueostomia, mas papai não quis e respeitamos sua decisão. Dizia que não gostaria de ser cortado. Minha carreira estava indo muito bem e comprei um apartamento para ele na Bela Vista, em São Paulo. Ele não gostou muito porque ficava em frente ao cemitério e falava brincando que não queria ficar olhando para o local onde iria morar mais cedo ou mais tarde. Nos mudamos dali para uma casa no Itaim. Foi onde ele morreu, em 1969, com toda a dignidade que merecia” (Booker está enterrado no cemitério São João Batista, no Rio de Janeiro).
Há poucos registros audiovisuais de Booker Pittman. As poucas imagens se perderam nos famosos incêndios sofridos pela TV Record – só na década de 60 foram cinco. Na sua volta ao Rio, Booker gravou três álbuns: Jam Session (1963), ao lado de Dick Farney, News from Brazil (1963), já com a filha Eliana Pittman como cantora, e Sax Soprano Sucesso (1965). Os três se encontram esgotados e fora de catálogo.

 

MAMÃE CORAGEM
A cabeleira e costureira Ophélia Leite de Barros vinha de um casamento fracassado e lutava com dificuldades para criar a filha. No Brasil da década de 50, o movimento pela igualdade da raça negra dava seus primeiros passos e dona Ophélia era uma entusiasmada ativista. Quando conheceu Booker Pittman, sua vida mudou drasticamente. “Mamãe virou empresária por causa do Buca. Antes disso, nunca tinha entrado numa boate”, nos conta a filha Eliana. “Ela começou a ficar famosa no meio artístico porque era linha-dura quando o assunto era dinheiro. Pedia aumento e quando tinha que cobrar não tinha papas na língua. Além disso, começou a interferir até nos ensaios”, complementa. A matriarca respeitava muito a opinião da filha e a consultava para tudo. “Quando conheceu o Booker, fez questão de me apresentar e perguntar o que eu achava, se daria um bom marido, essas coisas.”
Já carregando o sobrenome Pittman, Ophélia também ganhou fama pela maneira que conduzia os namoros de Eliana. “No começo de minha carreira, ela tomava conta de todos os meus namoros. Naquela época existia o mito da virgindade e mamãe era muito rigorosa. O Adolpho Bloch dizia que, quando eu me casasse, ela ficaria embaixo da cama para ver se a lua- de-mel se concretizaria. Booker definia muito bem a nossa relação e falava de maneira irônica lembrando a função dela como empresária: Booker, saxofone, Eliana microfone e Ophélia telefone”.

Ouça a música Hello Dolly com Booker Pittman:



Escrito por Bruka às 17h14
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ELEELA DEZ/09

CORPO EM EVIDÊNCIA
por  CESAR LOPES06 de janeiro, 2009

 

A TRAJETÓRIA DA FOTÓGRAFA E ARTISTA PLÁSTICA LONDRINENSE FERNANDA MAGALHÃES É MARCADA POR UMA PALAVRA: GORDURA. ELA ENFRENTOU O PRECONCEITO E A TIRANIA DO CORPO PERFEITO PARA CRIAR UM TRABALHO PREMIADO QUE CORRE O MUNDO

 


O trabalho da artista, fotógrafa, professora da Universidade Estadual de Londrina e doutora em Artes pela Unicamp, Fernanda Magalhães, é guiado pelos temas do corpo. Fotografias de mulheres nuas, colagens e erotismo. Até aí, nada demais, pois muitos fotógrafos fazem esse tipo de abordagem. O que diferencia a obra da artista é a proposta. Como uma antítese aos padrões de beleza existentes, ela expõe em seus nus o corpo da mulher obesa e, na maioria das vezes, fotografando a si mesma.


“Hoje é muito claro que minha obra discuta a questão do corpo. Eu lanço essas reflexões todas, mas, no começo, fazia muito intuitivamente”, conta. “Olhando meus trabalhos mais antigos, notei que sempre fotografava gente. Tinha feito alguns nus, inclusive. Comecei usando umas lentes que faziam distorção, sempre com o foco no corpo. Já percebia que era disso que gostava, mas não tinha a consciência da temática. Quando fui morar no Rio, em 1993, descobri como nós, que moramos no Sul do país, vivemos cobertos de roupas se compararmos com quem vive numa cidade como o Rio de Janeiro. Lá tem essa coisa do corpo muito forte. Pessoas vão caminhar na praia, fazer exercício e existe uma democracia, porque quem está fora do padrão também vai às praias de biquíni, maiô, nos ônibus, usando roupas mínimas”.


A primeira série da fotógrafa aconteceu em 1993 e, de maneira instintiva, já discutia a questão da ditadura da beleza. Auto Retratos Nus no Rio de Janeiro expõe o corpo da artista de maneira direta por meio de montagens. “Naquele primeiro momento tinha a coisa do incômodo com aquele corpo que não me agradava, porque é um corpo gordo. Então, fiz, digamos, uma plástica. Recortei as fotos e comecei a fazer essas colagens com materiais que recolhia na rua, como pedaços de passagens de ônibus e papéis de bala. Isso foi se transformando em composições. Fiz uma veladura nos trabalhos, que ficaram cobertos por um craquelet feito com papel e cola. Ainda era uma forma de esconder o corpo que eu não aceitava. Esse trabalho foi determinante para o resto, pois era, de certa forma, um questionamento, uma dificuldade do corpo que não se enquadra, esse preconceito todo que existe”.
Fernanda não busca eufemismos nem procura palavras ditas politicamente corretas para se referir aos temas que propõe. Não por acaso, seu trabalho de maior visibilidade se chama Representação da Mulher Gorda Nua na Fotografia, que recebeu, em 1995, o VII Prêmio Marc Ferrez de Fotografia, do Ministério da Cultura. “Percebi que, além de discutir o preconceito, eu também estava tentando entender esse corpo que era o meu, e o trabalho se expandiu para o corpo do outro. Percebi que a questão não era só minha, mas uma questão da mulher gorda e, num segundo momento, uma questão da mulher. Por que nunca estamos satisfeitas? Por que sempre estamos buscando um padrão? Desse questionamento surgiu o projeto”.



A série está rodando o mundo com uma exposição itinerante e já esteve no México, nos Estados Unidos, na Bélgica, Finlândia e em várias cidades da Espanha. “O curador espanhol Alejandro Costelloti criou o Mapas Abiertos – Fotografia Latino Americana 1991-2002, no qual entraram fotógrafos latinos-americanos com produção da última década do século 20 e que não fossem artistas que estivessem com foco na vertente do terceiro mundo – índio, pobreza, favela etc. Ele queria mostrar pessoas que tivessem trabalhos que discutissem a questão da linguagem não com o olhar do exotismo, mas, sim, com o da criação”, diz Fernanda. “Comecei o projeto em 1994 e ninguém falava sobre gordura, a não ser para falar de dieta. Quando propus a pesquisa, a proposta era levantar fotografias de mulheres gordas nuas que já existissem ou de outros fotógrafos ou publicados em revistas pornográficas específicas. Queria esse material para fazer um trabalho de colagem. A proposta era criar uma nova representação para esse corpo que normalmente é discriminado”.


“A gordura, hoje, é considerada uma doença e ninguém fala o contrário. Isso é um grave erro. Não penso que seja uma doença, necessariamente. Existem magros doentes e magros saudáveis, assim como existem gordos doentes e gordos saudáveis. Converso muito com médicos e existe realmente uma gordura prejudicial. Os americanos comem uma comida podre, de fast food, e essa gordura é nociva, claro. Agora, existe gordura de constituição. Sempre existiram gordos no mundo e gordos saudáveis. A medicina atual cria um discurso para rebater aquilo que considera grave – e essa obesidade fast food é grave mesmo –; então, vai com toda a força e violência contra o corpo gordo.



As pessoas têm um preconceito misturado com medo. Os gordos têm um preconceito enorme com a própria gordura, porque se sentem culpados. Quem é gordo tem o corpo errado, e esse corpo precisa deixar de existir, quando deveria ser: você não está bem de saúde, precisa emagrecer um pouco, normalizar suas taxas e tal. Isso cria problemas de personalidade gravíssimos. O discurso médico, da moda e da publicidade é um agravador muito grande desse quadro”.


O estudo mais recente sobre obesidade no Brasil é de 2003. Segundo a pesquisa, realizada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), 40% da população adulta do Brasil apresentam excesso de peso. As mulheres representam 13,1% desse percentual. O índice usado na pesquisa foi o IMC (Índice de Massa Corpórea), pelo qual se divide o peso (em quilos) pela altura ao quadrado (em metros). O procedimento utilizado não consegue detectar o percentual de pessoas que tem algum tipo de problema de saúde em virtude da obesidade, muito menos as pessoas com excesso de peso que são saudáveis. O que realmente importa em toda a discussão, independentemente de pesos e medidas, é que cada um – gordinho ou magrinho – seja feliz.




NA CONTRAMÃO
A BRASILEIRA FLUVIA LACERDA, DE 28 ANOS, É MAIS UMA REVELAÇÃO NAS PASSARELAS INTERNACIONAIS



Considerada uma das modelos do gênero mais belas do mundo, Fluvia vem estrelando campanhas nos Estados Unidos há três anos. O detalhe é que, ao contrário de suas colegas, com corpos magros e delineados, ela desfila para confecções plus size. “Nunca tive complexo em relação ao meu corpo, tampouco me sentia inferior às mulheres magras. Apesar da pressão de amigos e familiares, que insinuavam que eu deveria me cuidar mais e perder peso, sempre gostei de mim do jeito que sou”, diz ela, que foi descoberta por uma editora de moda dentro de um ônibus a caminho de Manhattan. A modelo é um grande exemplo de como uma pessoa fora dos padrões pode levar uma vida saudável. Cuidadosa no que se refere à alimentação, a modelo só come arroz, macarrão e pão se forem integrais. Além disso, não ingere comida processada contendo muitos aditivos químicos, como bolos, biscoitos ou batatinhas. “Não aceito ser escrava de dietas; aliás, nunca fiz uma dieta na vida”. Fluvia já fotografou para revistas de diversos países e estrelou centenas de campanhas de moda, nas quais cada curva de seu corpo foi apresentada tão perfeitamente quanto as das modelos magras. O trabalho mais recente – a capa do primeiro calendário nacional das modelos plus size – gerou grande repercussão.


Escrito por Bruka às 17h54
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ELEELA DEZ/09

SÓ CAROLINE

 

ALÉM DE PRÊMIOS NOS PRINCIPAIS FESTIVAIS DE CINEMA DO PAÍS, A ATRIZ CAROLINE ABRAS NOS CONQUISTOU COM TALENTO, BELEZA E INTELIGÊNCIA


Quando tinha 13 anos e fugia das aulas de ginástica olímpica para assistir a ensaios de um grupo de teatro no clube que freqüentava, Caroline Abras não esperava uma trajetória tão bem sucedida. Hoje, aos 21, a atriz paulistana tem muita história para contar; afinal, vem colecionando prêmios em festivais de cinema Brasil afora. “Quando voltava para casa do clube, tentava imitar o que via nos ensaios de teatro. Um dia, pensei que também podia fazer e fui atrás. Comecei naqueles grupos de teatro de bairro só para meninas; a partir daí, fiz cursos e mais cursos”, conta ela. Dos palcos para o cinema foi um pulo. “Um dia um amigo me pediu para que o ajudasse a bater um texto para um teste do qual participaria. Eu me apaixonei pelo roteiro e perguntei se poderia ir junto. Chegando lá, pedi para fazer o teste. Fiz e, no fim das contas, consegui o papel. Por acaso, esse filme era Alguma Coisa Assim, que me abriu muitas portas”.
No Festival de Gramado ela é hors concours. Ganhou um Kikito, em 2006, pelo curta Alguma Coisa Assim, do diretor Esmir Filho, e outro, em 2007, com Perto de Qualquer Lugar, de Mariana Bastos. Este ano, levou o troféu Redentor de melhor atriz no Festival do Rio por sua interpretação no filme Se Nada Mais Der Certo, de José Eduardo Belmonte, que fala sobre jovens de Brasília que tentam a vida em São Paulo – a trama também levou a estatueta de melhor filme de ficção no festival carioca. Carol interpreta Marcim, um malandro andrógino que perturba a vida de todos que o cercam. “O personagem chegou sem pedir licença e, quando me dei conta, estava literalmente tomada por ele. Foi uma guerra desconstruí-lo no fim do processo. Até hoje tenho saudade. É como se ele tivesse sido algum amigo muito próximo. Gosto quando perdemos um pouco o controle sobre o personagem, fica orgânico, natural. Basta encontrar a essência para, a partir daí, ousar, pesquisar, ir além”, diz a atriz.
Os prêmios que ganhou não foram por acaso. Ela pensa que, para fazer a diferença, é preciso muita dedicação. “Acredito que, para crescer em qualquer profissão, é necessário ter uma base sólida, ainda mais numa profissão tão incerta como a de ator. Não basta saber atuar com naturalidade, há muito mais por trás disso. Além da teoria, da história, do treino incansável, também é necessário ter sempre uma carta na manga, algo que te diferencie dos outros no mercado. Além dos estudos, o que mais me estimula é a minha história de vida. O ator que faz de coração, com as vísceras mesmo, sabe o quão relevantes são nossos medos, as angústias, fragilidades pessoais e o quanto eles funcionam”.
No cinema, Carol gosta de Godard, Truffaut, Tarkowski, Glauber, Polanski, Bergman e outros diretores de primeiro escalão. A paixão pela leitura vem desde os tempos em que dormia na sala de casa, que era onde ficavam os livros do pai. Pegou tanto gosto que hoje adora Dostoievski, Gabriel García Márquez, Kafka, Saramago, Clarice Lispector, Fernando Pessoa, Florbela Espanca, Cesário Verde... Por tudo isso, e muito mais, Carol é nosso tipo de mulher.


Escrito por Bruka às 17h43
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