Blues Blogger
 

 

 

primeiro era o nome. que eu não sabia. 12 anos sem saber o nome. só uma forte lembrança: uma dose de conhaque e uma nota de cinco amassada em cima do balcão. daquelas tiradas do fundo do bolso. a última nota da noite, álcool em doses homeopáticas. e um sorriso. o mais lindo que eu já vi. parecia o sol no meio daquele bando de bêbados, atores, guitarristas, professores universitários, intelectuais de araque que usavam chapéus e sandálias de couro, patricinhas metidas a hippies e uma legião de jim morrisons.

depois foi um hiato. 10 anos sem notícia. e eu não sabia nem o nome. só a lembrança do sorriso que iluminava a escória. eu era da escória. então aconteceu. não poderia ser diferente. show de rock, cerveja, bêbados, atores, guitarristas, professores universitários, intelectuais de araque que usavam chapéus e sandálias de couro, patricinhas metidas a hippie e a legião de jim morrisons estavam lá e o sorriso também. então outro hiato. 3 meses. e olha que não foi por falta de tentativa. finalmente aconteceu. festa, cerva, fumaça muita conversinha mole e beijei aquela boca. ainda por cima abri a garrafa de conhaque que ela levou. eu era um herói aquela hora. nunca mais consegui ficar longe. depois disso, história.

antes eu não era.

 tem gente que é feito de madeira boa que duram a vida toda. tem gente que é de compensado. madeira podre. descobrimos isso no velho e o bar. não o hemingway, mas o velho. sabe aqueles que usam rabo de cavalo? então, servia cerveja gelada e porção de carne-seca com mandioca sem mandioca. naquele dia tinha calabresa com cebola sem cebola. fazer o que? beber. fazer o que? aquele dia também teve dança. música lenta gringa. herança dos oitenta. hoje a gente dança em qualquer lugar. no shopping, na saída da locadora, no velho e o bar ...

hoje ela é o meu sopro de vida.  eu sou a criação dela.

 



Escrito por Bruka às 13h09
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Ele sabia que algo estava estranho em casa. A mãe já não dormia com o pai há algum tempo. Herdou uma vaga no quarto. Achava um privilégio, mas a situação o incomodava, afinal, pai e mãe têm que dormir juntos, oras bolas. Seu Nestor chegava cada vez mais tarde, “é o bar, muito movimento...”. Tudo bem. Era o trabalho. Um dia, o velho não apareceu. Ficou horas esperando na janela o Passat amarelo apontar na esquina. Nada. Dormiu de cansaço. O único dia que ficava acordado até mais tarde era sexta, quando driblava Dona Marta para assistir sozinho, Sala Especial. Mas o fato é que o pai não havia dormido em casa e, naquele dia a escola foi sem graça,  o tempo demorou a passar e o recreio foi muito longo. Mal conseguiu comer o sanduíche de presunto que havia levado. Assim se arrastou a manhã.

 

Quando chegou da escola, seu Nestor estava em casa. Sentado à mesa esperando o almoço como se nada tivesse acontecido.

 

- Pai, o que aconteceu?

 

- Oi filho, o bar fechou muito tarde e dormi por lá.

 

- Ahhhhhh...

 

Aquela desculpa o acalmara, mesmo sentindo um incômodo.

 

Após o almoço, o velho o convidou para ir ao bar com ele. Arrumou-se todo orgulhoso e esperou no carro de tão ansioso. O trajeto foi em silêncio. O coroa era de falar pouco mesmo!

 

Chegando ao boteco, o pai deu ordens a dois empregados e “vem comigo meu filho”.

 

Pegaram um táxi em direção a casa do garoto.

 

- De táxi, pai!!

- é...

 

Seu Nestor entrou no carro e disse:

 

- O papai gosta muito da mamãe, mas não vamos viver mais juntos.

 

Já esperava por isso, mas não precisava ser na frente de um estranho. Ficou em silêncio como sempre ficava quando contrariado. Tinha raiva da impotência que sentia. O pai desceu do táxi, pagou a corrida e disse o endereço para deixar o menino. No rádio, tocava Pai Herói do Fábio Júnior. A chuva fina dificultava a visão pelo vidro do carro. Tentou chorar escondido do motorista. Não conseguiu.



Escrito por Bruka às 12h16
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  da série amigos distantes

 

O Terrinha, vulgo Rafael Reina, é um irmão da vida que trocou Londrina pela sua versão inglesa. O cara toca guitarra como o Jimi, é jornalista e tá fazendo um puta trampo legal como fotógrafo lá pros lados do Big Ben. As vezes nos falamos via MSN e, numa dessas, o cara me mandou um link com os trabalhos dele. Eu gosto muito, mas sou suspeitíssimo. Ele tem, como dizemos no interior, "mão boa" e também o que, na minha opinião, faz o bom fotógrafo: consegue enxergar coisas além que os reles mortais de visão burocrática que habitam tanto por aqui, quanto por lá. Olha lá http://www.flickr.com/photos/rafareina/ Numa dessas coincidências fudida da vida, há uns três meses estávamos ouvindo Neil Young ao mesmo tempo. Hoje falei pro cara:

- tô ouvindo beggarts banquets.

ele:

- tô ouvindo let it bleed.

Era uma das cabeças da banda mais legal que vi nos últimos 10 anos pelo menos. O Maquinhariah de Londrina, pois parece que tem outro por aí, mas o verdadeiro bom-bril é o da pequena londres do Paraná. Eles eram uma mistura de mutantes com psicodelia com umas harmonias diferentes, letras inteligentes e umas puta sacadas, sem esquecer da blueseira que é o que move o mundo. Ao vivo era de apavorar. Se isso não faz uma grande banda, não sei o que é...Grande Terrinha.

(pô Terra, depois dessa, vc me deposita uns euros)

seguem umas fotos do cara. outro dia posto uns acordes dele.

 

 

 

 



Escrito por Bruka às 13h29
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  we on the tape

 

Relação de amizade sempre é complicada. Principalmente quando é de verdade, quando os amigos compartilharam momentos, sonhos... Para nós, homens, é tão difícil confiar em alguém. Falo por mim. Sou fechado e tenho poucos amigos. Sou assim até no orkut. Se uma pessoa que estudou comigo na quarta série, na sala da tia Mirtes, quer me adicionar ao seu zoológico virtual particular, que se foda! Se eu não lembrar ou se a relação for zero, não aceito mesmo. Então, todos que estão por lá, são queridos por algum motivo.

 

Uma grande amizade é o mais próximo que um heterosexual se aproxima de se apaixonar por outro. É quando ele encontra alguém, geralmente companheiro de copo, para vomitar seus acúmulos de neurônios. Encontra o brother, o irmão. “Esse filha da puta é do caralho”!! “O seo bicha, já vai parar de tomar cerveja”? Quando o diálogo está assim, pode ter certeza que você está na frente de dois chapas, chegados, colegas, bros, e assim por diante.

 

Quando rola traição, a dor é pior que um corno de mina por que, afinal de contas, “você era meu chegado”!! Eu mesmo fiquei dois anos sem falar com um grande amigo, o Quatá, que foi dono de um dos bares mais bacanas de Londrina, o Vila Pirata. Você chegava no lugar pela primeira vez e ele dava um pequeno quadrado de madeira para se deixar um desenho. A decoração do bar era entre outras coisas, esses pequenos quadros. Deixei uns quatro por lá. Desenho tão bem quanto piloto foguete. Mas a parada é que ficamos sem nos falar por 2 anos por causa de bobagem, cigarro, mulher, sei lá... Aprendi uma coisa: nunca se deve brigar com um amigo por causa delas. Elas se vão. Uma hora ou outra, todas acabam indo. Os brothers não. Esses você vai continuar encontrando nos botecos da vida pelo resto de sua existência. Pode ficar anos sem ver ou ter notícia, mas quando encontramos é como se não tivesse passado um segundo. Algumas relações acabam deixando marcas como nos dois chegados de Jules e Jim. Eu ficaria sem falar com o Quatá mais dois anos pela Jeanne Moreau. No cinema temos muitos triângulos e quase sempre acabam descambando. Separação iminente. Dos Três.

 

Conversando com o Marião Bortolotto antes da estréia da peça Tape, lembramos, via e-mail, situações semelhante que havíamos passado. Confusões, mal entendidos, bebedeiras e... elas. De vez em quando rolava um ele pra driblar e se esconder. Essas coisas nunca acabam bem. Como não acaba bem a história dos amigos Vincent e Jon. Dois losers fudidos que, resumindo tudo, perderam uma puta gata e se reúnem anos depois pra lavar roupa suja. São os piores tipos de perdedores. Aqueles que se acham malandros. Esses são foda. Já encontrou um assim? Cheira babaca de longe. Não precisa falar duas frases para que o otário que vive dentro dele apareça. Vincent é o famoso malandro agulha. Jon é o idiota que se acha bem sucedido e quer dar conselhos. Também conheço o tipo. Esses são piores e, por mais merda que sejam, se acham superiores . O tipo traficantezinho de merda ainda dá pra agüentar. Esse não faz mal a ninguém e de vez em quando até te arrumam um beck. Como o Vincent. O trouxa arma tudo e... melhor deixa, senão entrego a bagaça. Me dei conta que não falei dos atores. Achei que pudesse falar das atuações tal e cousa e lousa e maripousa, mas quando comecei a escrever só me veio Vincent, Jon e Amy.

 

Bela direção. Belas atuações. A luz também é na medida. A trilha tem Eddie Cochran, John Lee Hooker e uma versão fudidamente fudida de Mr Jones. Tem que ver.

 

 

 



Escrito por Bruka às 00h49
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Coyote espreita Codrescu, Bolaño & cia em novo número

 Entre os destaque da revista de literatura e artes estão dossiê com o escritor, poeta e ensaísta Andrei Codrescu (Romênia, 1946), poemas do chileno Roberto Bolaño, mais conhecido como prosador, a poesia de Fernando Karl e Veludo negro, uma mini-antologia com seis jovens poetas brasileiras. Também traz o desenho de Carlos Carah,  traduções de Gertrude Stein e as prosas à margem de Carlos Carlaccio e Rubens K , entre outros

 

       “A ironia me parece um poderoso artefato para desativar a realidade. Agora vejamos, o que acontece quando vemos algo que tínhamos visto, por exemplo, numa fotografia e de repente vemos de verdade? É possível ironizar sobre a realidade, não crer nela, quando estamos vendo algo que é verdade?”. É sob o espírito desta citação de Enrique Vila-Matas, editorial do número 17, que Coyote, revista de literatura e arte editada em Londrina (PR), chega a seu décimo-sétimo número, depois de ter publicado quase duzentos autores (escritores, fotógrafos, ensaístas, tradutores do Brasil e de diversas partes do mundo). Em seus cinco anos de atividade, completados com o número 15, Coyote prossegue abrindo espaço para novos autores, além de resgatar e apresentar nomes importantes das letras e das artes, de épocas e lugares diferentes, incitando à reflexão e à criação literária. A revista é patrocinada pelo PROMIC (Programa Municipal de Incentivo à Cultura) da cidade de Londrina.

    

         Um dos destaques do número é o dossiê “Caçador de Diferenças”, com o escritor Andrei Codrescu (Romênia, 1946), inédito no Brasil, em entrevista feita a Rodrigo Garcia Lopes, além da tradução de quatro capítulos de seu livro (prosa) Zoombification, traduzidos por Kátia Hanna. Como escreveu Lawrence Ferlinghetti, "Codrescu sempre dá um jeito de criar um desejo ardente pelo que é subversivo — algo extremamente necessário nesses tempos de ‘fascismo amistoso’”.

 

     Coyote 17 também apresenta os poemas do escritor chileno Roberto Bolaño (1953-2003), mais conhecido como prosador. Sua carreira meteórica foi marcada pela fundação do movimento mexicano infrarrealista nos anos 70. Apesar de mais conhecido como romancista (Os Detetives Selvagens, 2666,  De Noite no Chile, entre outros), Bolaño era uma espécie de poeta da prosa, tendo publicado dois volumes de poesia: Los Perros Románticos e La Universidad Desconocida.

       A nova ficção brasileira também está presente no número com os textos de Rubens K. E Ricardo Carlaccio.

       A modernista norte-americana Gertrude Stein (1874-1946) traduzida e apresentada por Luci Collin, é também um dos carros-chefes do número, que traz ainda a antologia Veludo Negro: uma seção que mostra a força poética de seis jovens autoras brasileiras: Ana Rüsche, Bruna Beber, Izabela Leal, Lígia Dabul, Luana Vignon e Monica Berger,

     O desenhista Carlos Carah também mostra seus traços, num número que tem ainda  poesia visual de Vinícius Lima e poemas de Fernando Karl. Na Contracapa, o Movimento Contra a Lei Seca.  

         COYOTE é uma publicação da Coyote Edições, editada pelos poetas Ademir Assunção, Marcos Losnak, Maurício Arruda Mendonça e Rodrigo Garcia Lopes. Projeto gráfico de Marcos Losnak. Tem periodicidade trimestral e distribuição nacional (em livrarias) pela Editora Iluminuras. Tiragem de 1 mil exemplares.

 

COYOTE 17 // Outono 2008 //  52 pgs. // R$ 10  Uma publicação da Coyote Edições.

Vendas em livrarias de todo o país ou pelo site: www.iluminuras.com.br

email: revistacoyote@uol.com.br e rgarcialopes@gmail.com Fone: (43) 3334-3299 – Londrina.: revistacote@uol.com.br

PATROCÍNIO: PROMIC - PROGRAMA MUNICIPAL DE INCENTIVO A CULTURA – SECRETARIA MUNICIPAL DE CULTURA – PREFEITURA MUNICIPAL DE LONDRINA (PR)



Escrito por Bruka às 22h51
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Escrito por Bruka às 23h30
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  EU - Vladimir Maiakovski


Nas calçadas pisadas
de minha alma
passadas de loucos estalam
calcâneo de frases ásperas
Onde
forcas
esganam cidades
e em nós de nuvens coagulam
pescoço de torres
oblíquas

soluçando eu avanço por vias que se encruz-
ilham
à vista
de cruci-
fixos

polícias



Escrito por Bruka às 23h26
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Escrito por Bruka às 10h13
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  the band

 

ainda não vi os stones dirigidos pelo scorsese, mas prá compensar um pouco revi the last waltz. talvez seja a primeira incursão do bom companheiro no terreno musical. não poderia ter escolhido banda melhor para estrear. the band foi perfeito. prá começar, era amigo da galera e seus momentos mais junkies fora ao lado de robbie robertson e companhia. ele ia com a banda prá tudo quanto é canto do planeta.

- martin, vamos prá paris, que ir?

- demorô, bob.

devia ser mais ou menos assim... quem tirou scorsese da trilogia mais famosa de todos os tempo foi de niro que o chamou prá dirigir touro indomável e teve quase que suplicar para que aceitasse.

prá quem não viu the last waltz, trata-se do concerto de despedida da canadense the band. se não bastasse a banda ser du caralho, onde todos os membros cantam e tocam muito, a parada foi dirigida pelo cara e todas as entrevistas no filme são conduzidas pelo próprio mr táxi driver.

bom, aí começam as participações.

bob dylan, eric clapton, neil young, van morrison, ringo star, ron wood só prá ficar nos mais populares.

ainda tem muddy waters.

ainda tem laurence ferlinghetti.

 

 



Escrito por Bruka às 12h44
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  aos ossos que tanto doem no inverno

 

"Para um ser sensível, qualquer compaixão não raro é sofrimento".

Herman Melville

 

Domingo de chuva fina típica de São Paulo e vou para o Ruth Escobar ver a peça do Marião. Fazia tempo que falava pra ele que veria, mas sempre aparecia alguma coisa e na maioria absoluta das vezes com álcool no meio. Ia no sábado, mas cheguei na casa do cunhado e vi uma porrada de cerva, uma garrafa de cana e Stones tocando. Fiquei. O Mário perdoa, e foi por uma boa causa.

 

Fomos, eu e a Gio, minha digníssima, no domingo fugindo da famigerada musiquinha do Fantástico. Chegamos cedo, compramos os ingressos e ficamos observando a movimentação do povo que foi ver a comédia engraçadinha ao lado.

Escolhemos algo mais indigesto. Já esperava o que vinha pela frente, aproximadamente 1 hora de porrada na cara.

Enquanto aguardávamos, chega o Bortolotto:

 

- Pô, veio hoje?

- Pois é... cheguei na casa dela ontem e tinha uma garrafa de cangibrina aberta...

- Domingo se bebe menos...

- É...

 

Dei o cd do Wilco que tinha prometido, Sky Blue Sky, (o melhor cd de 2007) e ele foi se preparar.

 

Entramos na sala Mirian Muniz e o que me chamou atenção logo de cara, foram as dimensões.

Imediatamente lembrei de um texto do Nelson Rodrigues onde fazia uma comparação entre um jogo de futebol num estádio grande e outro num pequeno. Dizia que no estádio pequeno, aparece a humanidade do jogador.

Era exatamente isso que eu via no cara que estava no centro do palco.

Já não era meu amigo Mário que estava lá. Era o Chico carregado de toda sua humanidade e melancolia.

 

Segurava uma arma como uma beata segura um terço para se proteger de seus arrependimentos, frustrações, negações, medos e, principalmente, da ausência.

 

O tanto que Bortolotto cresceu como ator é uma coisa absurda (Ô Marião, aquela casa de chá que você falou no comecinho, foi caco, foi não???). O vi em 1988 (nossa... 20 anos) em Londrina quando nos conhecemos e, desde que veio para São Paulo em 1996 perdi o contato com seu trabalho teatral. Continuava a ler seus escritos na Folha de Londrina e assistir suas dicas de filmes, mas no palco nunca mais. E o que vi impressiona.

 

O texto corta a carne. A sinergia e a cumplicidade entre Nelson Peres e Mário Bortolotto poucas vezes vi entre dois atores. A direção conseguiu dimensionar o tamanho exato de cada interpretação respeitando as características de cada um. O contraste entre os dois – a fragilidade de Peres e a corpulência de Mário – chama a atenção. A dor não escolhe tamanho.

 

A peça é uma gangorra. Na primeira metade Chico tem o poder e parece um gigante diante do pequenino Carlos que está tímido, com medo. Depois a arma que Carlos usa para se defender machuca mais: a verdade. E quem vira o gigante é ele...

Vermos Chico se encolher como uma criança causa pena. Não misericórdia, mas aquela pena que beira a compaixão do Melville.

 

 

Machuca de verdade. Machuca a todos nós. Miséria é miséria me qualquer canto já dizia aquela banda em seus bons momentos. A maneira que cada um lida com perdas é pessoal, mas a dor é comum a todos, e só achando alguém para compartilhar o peso mesmo para sobreviver. Alguns se casam, uns vão pro puteiro e outros viram amigos, como Chico e Carlos.

Humanos e suas humanices...

 

No fim vemos em cena dois gigantes em momento iluminado. Também tem a luz, delicada e na medida.

 

Ah, a trilha é Chet Baker o que torna o programa obrigatório para quem tem o mínimo de sensibilidade.

 

 

Bela estréia de Sérgio Mello. Isso tem uma cara de filme...

 

Saímos do teatro eu e minha companheira de dor e voltando a rotina paulistana, fomos comer a tradicional pizza dominical. Entramos, fizemos o pedido e comemos. Em silêncio.

 

 

 

 



Escrito por Bruka às 23h24
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essa abre qualquer filme do scorsese. podem experimentar. pegue qualquer um, baixe o som original e deixe rolar "for what it's worth". também abre o primeiro disco dos caras. bela estréia.

em londrina chamamos isso de rock caipira bruto.

enjoy the buffalo

 



Escrito por Bruka às 20h45
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  Coleções

 

Nunca fui um cara que tem todos. Conheci muita gente que tinha todos. Todos os cds do Neil Young, todas as revistas do Asterix, todos os livros do Mailer, todos os filmes do Coppola e assim por diante... Nunca consegui. Sempre que estava chegando perto de conseguir ter todos de alguma coisa, acabava emprestando algum e nunca mais... Coleções, pra mim, nunca deram certo.

 

Quando eu era pequeno, devia ter uns 8 anos, quase enchi um álbum de figurinhas. Era do campeonato brasileiro e cheguei muito perto de completar. Estava no começo da coleção quando um belo dia, tirei o Edu Bala, ex-ponta do Palmeiras. O Mauricio, um japinha que estudava comigo, me fez uma oferta irrecusável pelo cromo. Não deu pra resistir. Eram muitas figurinhas, tipo umas 100 por uma. Troquei.

Adivinha qual que faltou pra concluir o álbum?

 

Depois foi o Pereira. Era o amigo mais velho. Eu devia ter 10 e ele 14. Nunca vou esquecer quando disse que havia completado a coleção dos Stones. Tinha acabado de comprar o Some Girls. Fiquei morrendo de inveja. Porra, o cara tinha todos os dicos dos Rolling Stones. Na época, não sabia nem do que se tratava, mas devia ser uma coisa muito legal, pois a galera ficou de cara. Tentei fazer a mesma coisa com os Beatles. Parei no For Sale.

 

Conheço todos os álbuns, tanto dos Beatles quanto dos Stones e pode ser que se fosse possível juntar todos que tive em épocas diferentes, num determinado momento da minha triste existência tivesse todos. Mas ter, de fato, tudo juntinho ali ao mesmo tempo, nunca tive.

 

O Mário Fragoso, um grande amigo de Londrina, tinha todos os livros do Nelson Rodrigues. Morávamos na mesma república e tive a sorte, se não de ter, ler a coleção completa com direito a todas as peças. A que mais me impressionou foi Anjo Negro, mas isso é outra história.

 

 

Tudo isso para falar que hoje completei minha primeira coleção. Sou o feliz proprietário de todos os cds do Buffalo Springfield. Todos os três. Podem rir, mas pra mim é uma puta vitória. Outro dia farei um post falando dos cds que são, pra ficar no básico MIL VEZES DU CARALHO!!!! Queria ver a cara do Pereira agora.

 

 

 

 



Escrito por Bruka às 23h16
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  minha irmã

 

 

acorda alice-link ao lado

 

ele disse que mudou...

ele me disse que mudou, que tava tocando muito e tava com uma banda de jazz "du caralho"...

...e eu acreditei!

depois começou a falar sobre Coltrane, Charlie Parker, Pat Metheny, Miles Davis e por aí vai...

incrível como uma conversa que me fascinava tanto se tornou um discurso tedioso e maçante.

eu juro que num passado remoto eu perderia horas, dias, vidas, deixando aquele "hôme" me seduzir com sua "musicalidade".

- mais um café? - disse ele

aceitei.

quem diria! o ex-casal esponja acompanhado de singelos cafés e apetitosos amanteigados.

as coisas fatalmente mudam!

de repente aquele silêncio desconfortante tomou conta. não conseguia mais disfarçar minha cara de tédio, apesar de sorrir levemente e concordar com a cabeça (como o meu amigo luizinho me ensinou para disfarçar a cara de merda), mas falhei.

nos despedimos como dois desconhecidos numa esquina qualquer - como profetizou a sua mãe anos atrás:

- vocês se reencontrarão em alguma esquina da vida. eu torço por isso.

realmente nos encontramos na esquina da vida, mas para continuarmos seguindo direções opostas.

Lu Lopes



Escrito por Bruka às 09h50
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wagner é um grande brother de londrina que virou hippie. já falei dele em outro post. é o hippie com casa própria que gosta de kerouac. descobri também que ele faz pesca em alto mar. acho que ele faz parte de uma tendência neo-hippie ou coisa assim...

quando vc saia nas noites de denver,,,,,contando suas moedas p mais um conhaque,,seu paladar aguçava saboreando o que ainda n tinha bebido,,,mais agora com litros de wisk cheios,,,,,o que sobrou foi a poltrona e as largatichas na parede..........

wagner kereouc



Escrito por Bruka às 19h11
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  haiku

 

 

bem te vi

bem me viu

não nos vimos

 

 

 

 



Escrito por Bruka às 21h22
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